segue carta de uma amiga nossa professora da prefeitura de sp, trabalha em uma CEI e desabafa sobre a falta de amor as crianças nos dias de hoje e principalmente sobre a falta de respeito aos professores, posto aqui na esperança de que faça alguma diferença a nossa voz gritando, mães amem e eduquem seus filhos, nao abram mão de serem mães para serem a pessoa que somente os coloca pra dormir ...
aproveito pra deixar uma pergunta... Estão pensando nas crianças, perguntem pra elas se querem passar o ano inteiro longe se sua familia e veja o que elas respondem...
São Paulo, 17 de março de 2011.
Arvoro -me a escrever esse desabafo, na intenção de que ele seja lido e quiçá publicado, para que, então, eu possa verificar que as idéias nele contidas encontram eco e se irmanam na mesma indignação e temor. Temor sim, de que a Educação Infantil, modalidade C.E.I. ou eu deveria dizer creche, volte a ser gerida pela Secretaria de Assistência Social e deixe de fazer parte, mesmo que infimamente, da Secretaria de Educação do Município de São Paulo.
Esse temor se fundamenta no fato de que para nós de CEI, a passagem para a Educação nunca foi completada e sempre estivemos aquém nesta travessia. Como crianças fomos guiados ao meio da festa e quando, já enturmados iríamos “curtir”, fomos convidados a nos retirar. Sim, pois depois de muita luta e reivindicação conseguiu-se os tão sonhados direitos a férias coletivas em Janeiro e ao recesso de verão, podendo-se, assim, sonhar novos sonhos e direitos compatíveis com o trabalho exercido e que só fazem coroar de êxito esse mesmo trabalho.
Qual não foi nossa surpresa ao saber que estamos em vias de voltar a lecionar em ritmo de SAS, quando ADI’s “tiravam” suas férias ao longo do ano, trazendo para a unidade escolar um transtorno para “cobrir” as ausências, sem professores que substituíssem aqueles em férias, desgastando os que ficavam com as crianças de sua sala e com as outras que lhes fossem designadas na divisão da sala do profissional em férias e tendo que fazer do seu melhor para que a criança não fosse envolvida nessa defasagem, pois, a creche era um direito da mãe que trabalhava. Pois bem, hoje, que se diz que o CEI faz parte da Educação sendo, portanto, um direito da criança, ficamos frente a um conceito arbitrário de que seu funcionamento não pode ser interrompido por ferir direitos da família que trabalha. E os direitos da criança? E os direitos do trabalhador de CEI? E o tempo de refazimento, de planejamento e reflexão? E o direito dessa criança ao convívio familiar? E o direito dessa família ao contato com a sua criança?
Sabemos, enquanto Educação que a família não deve se furtar aos momentos que puder desfrutar com suas crianças, pois esses momentos são fundamentais para a construção de seu caráter e identidade. Sem dizer que já foram notadas diferenças comportamentais naquelas crianças que são deixadas no CEI, sem recesso ou interrupção qualquer de sua jornada.
Porém, como filhos bastardos da Educação, que somos, devemos nos deixar guiar, aceitando o nome do pai e as migalhas provenientes dele. Ao filho legítimo, TUDO, ao bastardo o que sobrar e o que der. E é mesmo como bastardinhos que quero convidar a uma linha de pensamento que caminha na direção confesso, da insurreição: e se nos negássemos a ficar com alunos a mais? E se reivindicássemos professores para substituir àqueles em férias? E se, na falta desses, seus alunos ficassem sem atendimento em seu período? Por que, até então, tudo funcionou na base do “jeitinho”. E se não tivesse jeitinho?
Porque, pelo que consta, o verdadeiro trabalhador é a criança de CEI que não tem direito a descanso, recesso e nem a nenhuma interrupção de sua jornada.
Alguém já perguntou a ela o que ela acha de tudo isso???
Eu escrevi a carta, não por temer, de fato, voltarmos a SAS e sim para mexer com os brios dos interessados e, como já disse, como um DESABAFO. E, se legalmente, não voltarmos a SAS, profissionalmente: sem férias e recesso, estaremos trabalhando no mesmo ritmo. Não foi temor, foi sarcasmo. Ou SAScasmo
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