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quinta-feira, 12 de julho de 2012

O PODER

O PODER

O poder transforma,
O poder revigora
O poder afasta
O poder separa
O poder manipula


Para alguns essencial
Para outros banal
Para alguns transformador
Para outros envenador ...

Não faça que o poder o torne outra pessoa
Faça com que ele te torne uma melhor pessoa...

Não somos donos da razão





Não somos donos da razão


Hoje me peguei pensando em como a vida é capaz de manipular,  atropelar,  tirar do eixo  e nos levar a outros caminhos que tínhamos imaginado nunca percorrer...
Se alguém me dissesse que justamente você que era o homem mais inconsequente, inconveniente, imaturo e irresponsável do mundo ia se tornar um grande homem eu não acreditaria. Iria dar boas gargalhadas sem duvida... Me apaixonei por um menino que tinha brilho nos olhos a desrespeitar as regras.
Mas a vida vem como um passe de mágica e nos mostra que não é bem assim, não somos donos da razão nem tão pouco conhecedores do mundo e do futuro...
Tenho grande orgulho do ser humano que você se transformou e me sinto também um pouco responsável por tudo isso, afinal no fundo do meu coração sempre te amei e sempre te aceitei como você era, sempre acreditei na sua verdade e fiz dela a minha...
Infelizmente o destino fez com que tomássemos rumos diferentes mas o meu amor continua aqui dentro do meu peito intacto como um diamante bruto pronto pra ser lapidado a qualquer momento.
Décadas se passaram mas para os apaixonados o tempo é tão relativo como já dizia o poeta... E nem toda a eternidade faz com que o frio no meu estomago acabe todas as vezes que eu te encontro, é uma emoção como da primeira vez que nossos olhos se cruzarem dentro daquela sala de aula.
A inocência de menina continua presente dentro de mim e agora vendo-o homem feito, pai de família honesto e guerreiro tenho ainda mais orgulho de mim mesma...

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Conto Celta Briana

Pessoal como sabem fiz um conto para concorrer a publicação no livro fantasiando e fui selecionada a noite de autografos ja aconteceu no ultimo sabado e agora divido o conto com voces. o livro esta esgotado mas sera feita uma segunda edição foi um sucesso, estou muito muito feliz e orgulhosa do meu trabalho... segue o conto celta Briana.


BRIANA

Seu nome era Briana.
Tinha longos cabelos avermelhados e brilhantes, olhos de uma profundidade invejável e de um azul da cor do céu. Naquela pequena aldeia, lá estava escondida, dentro da mata fechada para a própria proteção delas, afinal, de uns anos para cá, estavam sendo caçados como bichos; a inquisição tinha tomado conta de toda a Europa e as mulheres celtas eram vistas como bruxas. Logo, todo cuidado era pouco.
Enquanto tomava seu hidromel e olhava a brisa bater nas árvores e balançar os galhos fazendo um barulho que para ela era a natureza lhe dando “boa tarde”, aproximou-se um homem jovem muito bonito, de uma altives louvável, porém inimigo.
Ele era filho do Rei e estava ali à procura da jovem Briana, que era conhecida por fazer previsões, chás, que curavam doenças e poções de amor que eram capazes de fazer mulheres estéreis engravidar, ou trazer o homem amado de volta. Era chamada de bruxa, por toda a região da Europa, principalmente por que dizia ser capaz de conversar com a natureza, tais como: as árvores, os lagos e os seres elementais de todo o tipo; imagine só o perigo que ela representava para uma sociedade católica e totalmente contra à qualquer tipo de independência feminina.
De repente Briana, mesmo sem olhar para trás, viu o homem e disse a ele:
-Prazer em conhecê-lo meu nome é Briana! É a mim que você procura há tanto tempo. Estou aqui! Não quero que assuste ou maltrate as pessoas do meu povoado se é a mim que quer estou a sua disposição, só que tenho um recado do seu cavalo meu nobre senhor... Ele diz que está muito doente e que vai morrer ainda hoje, ele gostaria que antes disso você fosse se despedir dele.
O homem ficou paralisado olhando para ela, “Como ela sabia disso?”. De fato, aquele cavalo que ele estava montado não era o dele, o seu cavalo de repente ficou doente e nem sequer conseguia parar em pé, então como tinha a missão de encontrar e prender a bruxa Briana, a pedido do seu pai para assim conseguir o trono do Rei, afinal seu pai já estava com uma idade muito avançada e com a saúde muito debilitada. Ele obedeceu ao desejo do pai e foi mata adentro, por dias e dias, ao encontro de sua bruxa Briana.
Decerto, estava muito triste. Ele havia ganhado o cavalo do pai quando ainda era pequeno, foi seu primeiro cavalo, lembrou-se da emoção que sentiu quando recebeu o cavalo no dia do seu aniversário, e sem perceber, uma lágrima escorreu dos seus olhos. Heimdall era o seu melhor amigo, o acompanhou por várias viagens e salvou a sua vida inúmeras vezes, durante todos os anos que viveram praticamente sozinhos por aquelas matas. Mas como aquela mulher podia saber disso? E se bruxas eram feiticeiras más e cruéis, porque ela haveria de lhe dar um recado assim, ajudar o seu caçador não era o ato de uma bruxa.
Resolveu então num impulso levá-la com ele e sair dali o mais rápido possível, não ia acabar com a sua aldeia, não porque ela pediu, e sim porque ele não tinha tempo a perder, tinha que voltar e despedir-se do seu Heimdall. Pegou-a apressadamente e a colocou na garupa do seu cavalo e saíram correndo por dentro daquela floresta que ela conhecia tão bem, seus cabelos vermelhos voavam como brasa de fogo envolvendo os galhos das árvores.
Ela com medo do que o futuro a reservava, naquela nova fase da sua vida, agarrou na cintura do seu caçador e sentiu um tremor por todo o seu corpo como jamais havia sentido, sabia que ele não era seu caçador e sim seu verdadeiro amor, mas e agora?
 Passaram horas e horas cavalgando sem trocar nenhuma palavra, apenas sentindo seus corpos enroscados um ao outro e a magia que envolvia aquele momento tão intenso, tão denso, tão profundo e tão e assustador, afinal, por mais que ele não demonstrasse, ele tinha medo das bruxas, essas que eram, segundo ele, extremamente perigosas e ardilosas. Sabia que usavam de sua beleza para enfeitiçar os homens e torna-los submissos a elas. Imagine só se um nobre se tornaria submisso a uma bruxa... “Nunca!” Pensava ele.
Ao anoitecer, a fome e a sede inevitavelmente apertaram, e ela resolveu quebrar aquele silêncio. Disse em um momento de extremo desespero:
- Estou com fome e com muita sede! Vamos parar um pouco para nos alimentarmos? Aqui do lado tem uma cachoeira e  arvores frutíferas.
Ele apenas balançou a cabeça, não queria admitir, mas também sofria do mesmo mal que Briana; a sede era tanta que já estava perdendo a lucidez.
Quando ambos viram o lago ela colocou a mão para pegar água e bebê-la. De repente quando os seus dedos penetraram naquele lago límpido e de um azul da cor de seus olhos, toda a água se iluminou ficando com uma cor de um prateado brilhante, semelhante a cor da  lua, mesmo assim ela, como se já fosse acostumada a isso, continuou o que fazia sem se assustar e bebeu aquela agua fluidificada.
Ele não acreditava no que estava vendo, pensou que era a fome ou sede que sentia, ele dizia em sussurros “Devo estar delirando!”. Mas ao contrário do que ele imaginava, quando se aproximou do lago e colocou sua mão dentro daquela água de repente a agua se abriu e de dentro dela surgiu uma mulher linda, uma verdadeira divindade com um longo vestido vermelho, rosto alvo rosado, longos cabelos da cor do sol, notou que ela era meio transparente, não era de carne e osso, ele olhou dentro de seus olhos e ela disse:
            - Sou Épona e vim te dar um recado do seu Heimdall. Ele acabou de partir e quer te agradecer por toda a dedicação e amor que você deu a ele. “Pode vir Heimdall!” disse ela, e da mesma forma que ela, Heimdall saiu de dentro da água relinchou para ele, fez sinal de reverência como era de costume dos dois, abaixou-se para Épona e ela montou-se em Heimdall. Ambos subiram em direção ao céu, até desaparecerem por dentre as nuvens alvas como a pele de Épona.  
O cavalheiro ficou algum tempo mudo, sem saber o que pensar e o que dizer, começou a chorar e a soluçar lágrimas que nunca havia ousado a derramar, colocou todas as emoções que ao longo de todos aqueles anos nunca pode demonstrar, afinal, um guerreiro não podia chorar nem ceder.
Chorou por horas, ajoelhado ao lado daquele lago olhando para o céu, buscando a resposta para todas as suas dúvidas. Perguntava-se se todas as bruxas, que havia matado, eram de fatos bruxas ou simplesmente mulheres especiais como aquela, que acabara de conhecer e que estava levando mais uma vez para o sacrifício; sacrifício afinal a troco do que? Para que? Por quê? Perguntava-se e não encontrava resposta.
Sem dúvida, as mulheres Celtas eram seres iluminados e especiais, caso contrário jamais teriam a decência de deixá-lo se despedir do seu fiel escudeiro. Como estava arrependido...Como poderia se redimir de todos os seus erros do passado, de todas as injustiças que havia cometido em nome de uma fé que no fundo ele não sentia.
Sem dizer nenhuma palavra Briana entrelaçou-se em seus braços e o apertou contra seu peito bem forte como se com um simples abraço fosse capaz de tirar todo o sentimento de culpa que ele carregava naquele peito.
Esse abraço durou apenas alguns minutos, mas foi capaz de tirar todos os anos de erros que ele havia cometido. Sentia-se enfim, um novo homem. E queria recomeçar, a fazer de fato a “justiça” que ele nunca fez.
Sem perceberem seus lábios se encontraram com tanta intensidade dentro daquele abraço que mal podiam se conter, e assim ficaram e se amaram intensamente naquela linda cachoeira em contato com toda a natureza que ela tanto amava. Passaram desta forma, o fim de seus intensos dias rodeados pela natureza e pelo povo que ela tanto amava, e que ele aprendeu a amar e a respeitar: O povo celta.