Desde que, minha mãe havia me contado que nesse ano iríamos para a casa da minha avó contava os dias na folhinha, riscando um a um numa tentantiva em vão que a data chegasse com mais brevidade.
Após intermináveis horas a fio dentro daquele onibus, barulhento e fétido chegamos ao nosso destino, meus avós vieram nos buscar na rodoviaria aquele comemoraçao costumeira de familiares que nao se encontram a anos. Chegando na casa deles minha avó disse que a meia noite era natal e que iriamos na igreja assisitir a missa do galo.
Eu não fazia a menor ideia do que era a tal missa do galo, será que ao invés do padre era um galo que rezava a missa? ou será que ela ela era feita em um galinheiro ao invés da igreja. fiquei com vergonha de perguntar, eles falavam da tal missa com tanta naturalidade que não ousei fazer uma pergunta assim tão imbecil. Me conformei afinal, a noite ja estava próxima e ai eu mataria todas as curiosidades tipicas de uma moça da capital.
Inevitavelmente a noite chegou, uma linda noite por sinal a lua estava esplendorosa, a lua cheia tomava conta do ceu de um azul escuro (nao era negra) cheio de estrelas, como a noite no interior é linda, sem poluição você é capaz de ver até mais singelas estrelas, e o silêncio nos proporciona apreciar o céu em todos os seus mais lindos detalhes.
Toda a familia prontissima para a tal missa do galo, roupas novas, perfumados, cabelos impecáveis e eu me perguntava pra que tanta arrumação não é só uma missa?
Lá fomos nós todos como se fosse uma procissão (outro evento imperdivel no interior) ficava imaginando se estivesse na capital a uma hora dessa estaria com meus amigos indo assistir os fogos, toda a galera reunida, bebendo, conversando. A essa altura já nao sabia se teria valido a pena tanta euforia para as férias...
Caminhamos por bastante tempo, eu como nunca fui apreciadora de caminhadas perguntei se era longe e minha vó me respondeu:
- Que nada minha neta deixa de ser reclamona é logo ali, tá vendo lá no alto a igreja então é la no centro da cidade.
A igreja estava tão pequena como se fosse um grão de feijao que mal podiamos ver, mas tratei de me conformar afinal uma das minhas perguntas ja havia sido respondida: a missa seria em uma igreja ufa...
Após longos passos chegamos a igreja que diga-se de passagem era belissima, digna da minha primeira missa do galo. Porém ela estava muito cheia, toda a cidade resolveu ir até a tal missa, tudo bem que a cidade era pequena mas a igreja não comportava todas aquelas pessoas ao mesmo tempo e acho até que alguns moradores ja previam a superlotação porque nós chegamos e ja não havia nem como entrar na igreja, ficamos ali na porta, na ponta dos pés tentando ver ao menos a cabeça do padre ou ouvir sua voz, não que isso mudasse muito as coisas pois a missa estava sendo rezada em Latim, e na época como não era conhecedora nem amadora da lingua como sou agora, não fazia a menor ideia do que o padre tanto falava.
Enquanto procurava uma brecha entre a multidão me deparei com um verdadeiro Deus grego, olhos verdes, cabelos cor de mel, rosto perfeito. Mesmo em meio a multidão era impossivel nao nota-lo era esguio e encantador, meu coração imediatamente disparou, meu corpo tremeu, minha boca secou.
Era como se o mundo tivesse parado naquele instante mágico em que meus olhos foram de encontro ao seu e tudo havia perdido a importância, o melhor de tudo você era simpático puxou logo conversa disse que conhecia toda a minha familia e a mim também mas eu não me lembrava porque era pequena quando havia me visto.
Ficamos ali do lado de fora contemplando a constelação linda daquela cidade, demos tantas risadas sobre as minhas duvidas da tal missa do galo, que as "Beatas" nos olharam horrorizadas, até balbuciavam - que falta de respeito...

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