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domingo, 17 de setembro de 2017

CLARICE LISPECTOR


Chaya Pinkhasovna Lispector (Chechelnyk, 10 de dezembro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977) foi uma premiada escritora e jornalista nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira — e declarava, quanto à sua brasilidade, ser pernambucana —, autora de romances, contos e ensaios sendo considerada uma das escritoras brasileiras mais importantes do século XX e a maior escritora judia desde Franz Kafka. Sua obra está repleta de cenas cotidianas simples e tramas psicológicas, sendo considerada uma de suas principais características a epifania de personagens comuns em momentos do cotidiano.

Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.


Brasília…Uma prisão ao ar livre.

Renda-se, como eu me rendi.
Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei.
Não se preocupe em entender,
viver ultrapassa qualquer entendimento.

Liberdade é pouco.
O que eu desejo ainda não tem nome.

Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado:
pensava que, somando as compreensões, eu amava.
Não sabia que, somando as incompreensões
é que se ama verdadeiramente.
 Porque eu, só por ter tido carinho,
pensei que amar é fácil.

É que por enquanto a metarmofose de mim
em mim mesma não faz sentido.
É uma metamorfose em que eu perco tudo
o que tinha, e o que sou.
E agora o que sou?
Sou: estar de pé diante de um susto.
Sou: o que vi.
Não entendo e tenho medo de entender,
o material do mundo me assusta,
com seus planetas e baratas.



“Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo...”


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