CLARICE LISPECTOR
Chaya Pinkhasovna Lispector (Chechelnyk, 10 de dezembro de 1920 — Rio
de Janeiro, 9 de dezembro de 1977) foi uma
premiada escritora e jornalista nascida na Ucrânia e
naturalizada brasileira — e declarava, quanto à sua brasilidade,
ser pernambucana —, autora
de romances, contos e ensaios sendo considerada uma
das escritoras brasileiras mais importantes do século XX e a maior
escritora judia desde Franz Kafka. Sua obra está repleta de cenas cotidianas
simples e tramas psicológicas, sendo considerada uma de suas principais
características a epifania de personagens comuns em momentos
do cotidiano.
Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe
qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.
Brasília…Uma prisão ao ar livre.
Renda-se, como eu me rendi.
Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei.
Não se preocupe em entender,
viver ultrapassa qualquer entendimento.
Liberdade é pouco.
O que eu desejo ainda não tem nome.
Porque eu fazia do amor um cálculo matemático
errado:
pensava que, somando as compreensões, eu amava.
Não sabia que, somando as incompreensões
é que se ama verdadeiramente.
Porque eu, só
por ter tido carinho,
pensei que amar é fácil.
É que por enquanto a metarmofose de mim
em mim mesma não faz sentido.
É uma metamorfose em que eu perco tudo
o que tinha, e o que sou.
E agora o que sou?
Sou: estar de pé diante de um susto.
Sou: o que vi.
Não entendo e tenho medo de entender,
o material do mundo me assusta,
com seus planetas e baratas.
“Faça com que eu saiba ficar
com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo...”
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